A última casa

No fim, todas as colocações em Murdoku se resumem ao mesmo momento: um suspeito que podia estar numa dúzia de sítios tem exatamente uma casa livre. Tudo o resto está excluído, por isso estava lá. Os adeptos de passatempos chamam-lhe «único nu»; aqui é simplesmente a última casa.

Parece demasiado óbvio para merecer um nome, e de certo modo é. O interessante é tudo o que leva até lá. Nenhuma pista de Murdoku nomeia uma casa. Uma pista diz «ao lado de uma janela», «a norte da Dana» ou «numa divisão sem outra mulher», e cada uma deixa uma zona, não um ponto. A última casa é o que sobra quando a uma pessoa se cortaram tantas zonas que só uma célula sobrevive.

Leva a conta de cada suspeito

O hábito que faz aparecer cedo a última casa é contar. Na primeira leitura de um caso, calcula para cada suspeito quantas casas lhe deixam as suas próprias pistas. Num bom caso esses números variam imenso: um pode ter quarenta possibilidades, outra três. O caso começa pela de três, porque cada casa que riscas, seja porque motivo for, pesa muito mais para ela.

Depois, sempre que riscares alguma coisa — porque uma linha está ocupada, porque uma divisão está cheia, porque duas pessoas não podem partilhar linha —, vê se tocou numa das listas curtas. Quase nunca se encontra uma colocação: repara-se nela, porque uma lista que estavas a vigiar ficou sem opções.

O que uma colocação devolve

Uma colocação nunca diz respeito só à pessoa colocada. Como cada um tem a sua própria linha e a sua própria coluna, colocar alguém esvazia de possibilidades toda essa linha e toda essa coluna para os outros. Num tabuleiro de 9×9 são dezassete casas de uma vez, e muitas vezes são precisamente essas que mantinham longa a lista de outro suspeito.

É por isso que o jogo risca a linha e a coluna por ti quando colocas alguém: é a maior eliminação do tabuleiro, e acontece sempre. Olha para as linhas libertadas logo a seguir, antes de leres outra pista. O mais comum é a próxima última casa estar mesmo aí.

Quando não chega

Nos casos difíceis, a última casa é retida de propósito. Um caso difícil bem feito deixa-te riscar muito enquanto ninguém está ainda certo, para que a primeira colocação só chegue ao fim de muitos passos. Se já trabalhas há algum tempo e ninguém desceu a uma única casa, o caso está a fazer o seu trabalho — não te está a escapar nada. Muda então das pessoas para as linhas: as três técnicas seguintes tratam de linhas e colunas, e costumam ser elas a desfazer o nó.

Um exemplo resolvido

Do caso Tutorial — 4×4, Tutorial, Moradia.

C1C2C3C4
L1M
L2T
L3C
L4CP
A planta de «Tutorial». As letras marcam objetos: C Cama, P Planta, M Mesa, T Televisor.

As pistas em jogo:

Este passo vem depois de os primeiros suspeitos estarem colocados, por isso revela parte da solução — salta-o se quiseres resolver «Tutorial» do zero.

No passo 4 da solução, o raciocínio diz:

Carmen tem de estar em L3/C4 — a única casa possível.

Casos que precisam dela

142 dos 142 casos do arquivo usam esta técnica pelo menos uma vez. Uma seleção, do tabuleiro mais pequeno para o maior:

Outras técnicas

Continua