Junto ao mesmo objeto
«Estava ao lado de uma mesa. Outro suspeito estava ao lado da mesma mesa.» Pistas assim prendem duas pessoas a um objeto concreto — não a uma mesa qualquer, mas àquela. São pistas relacionais com um objeto no meio, e estão entre as mais satisfatórias de resolver, porque costumam fixar duas pessoas muito perto uma da outra de uma só vez.
A primeira coisa a ver é que a segunda pessoa precisa de espaço. Precisa de uma casa encostada a esse mesmo objeto — outra casa — e, pela primeira regra, fora da linha e da coluna do suspeito. À volta de um objeto pequeno sobram muito poucas opções. Uma mesa de duas casas tem talvez seis casas ao lado; se o suspeito ocupar uma, o parceiro tem de estar numa das poucas que não partilham linha com ele.
A armadilha
A armadilha clássica é uma casa encostada ao objeto cujas únicas casas de parceiro ninguém pode usar. Um suspeito na cabeceira de uma mesa de jantar pode ter um só vizinho na diagonal junto à mesma mesa, e essa casa pode estar excluída para todos os outros suspeitos por um motivo que nada tem a ver. Então o suspeito afinal não pode estar ali, embora esteja ao lado de uma mesa, porque a pista o deixaria sem parceiro.
O solucionador verifica isto casa a casa, e é por isso que o passo dele elimina casas impossíveis em vez de colocar alguém. À mão, a pergunta para cada casa é simples: se o suspeito estivesse aqui, sobraria uma casa de parceiro verdadeira?
Quando o suspeito já está colocado
Assim que o suspeito está colocado junto a um objeto concreto, a pista inverte-se. O parceiro tem de estar junto a esse mesmo objeto, numa de poucas casas. Se só outro suspeito ainda conseguir chegar a alguma delas, é esse o parceiro, e fica imediatamente limitado a essas casas. Num tabuleiro cheio, é muitas vezes este o passo que desbloqueia o resto do caso.
Quando o parceiro tem nome — «junto à mesma planta que o Apo» —, os dois sentidos valem desde o início: cada um só pode estar junto aos exemplares do objeto a que o outro também poderia chegar.
Um exemplo resolvido
Do caso Cinzas Frias — 7×7, Difícil, Parque de campismo.
| C1 | C2 | C3 | C4 | C5 | C6 | C7 | |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| L1 | Á | T | C | T | |||
| L2 | Á | T | |||||
| L3 | Á | Á | F | ||||
| L4 | Á | G | |||||
| L5 | T | C | |||||
| L6 | C | T | T | M | M | ||
| L7 | T | G | C | C |
As pistas em jogo:
- Anna — Ela estava a sudeste de Carol
- Bella — Ela estava na mesma linha que uma fogueira, noutra divisão
- Carol — Ela estava ao lado de uma cadeira
- Dalia — Ela estava ao lado de uma mesa. Outro suspeito estava mais a leste do que Dalia, ao lado da mesma mesa.
- Elsa — Ela estava a sós com um suspeito que tinha o cabelo ruivo
- Freya — Ela estava ao lado de uma fogueira
Este passo vem antes de alguém ser colocado no caso, por isso lê-lo não te revela a solução.
No passo 8 da solução, o raciocínio diz:
Dalia tem de estar ao lado do mesmo objeto (uma mesa) que outra pessoa — casas impossíveis riscadas.
Casos que precisam dela
22 dos 142 casos do arquivo usam esta técnica pelo menos uma vez. Uma seleção, do tabuleiro mais pequeno para o maior:
- Homicídio em Tom Menor — 6×6, Médio, Moradia
- Sangue, Suor e Feno — 6×6, Difícil, Quinta
- Cinzas Frias — 7×7, Difícil, Parque de campismo
- Instinto Animal — 7×7, Médio, Quinta
- Vingança à Luz das Velas — 7×7, Difícil, Castelo
- Atrás do Biombo — 8×8, Difícil, Hospital
- Cuidado com o Urso — 8×8, Difícil, Parque de campismo
- Entre Velhos Amigos — 8×8, Difícil, Parque de campismo
- Festas Fatais — 8×8, Difícil, Jardim zoológico
- O Jantar da Máfia — 8×8, Difícil, Hotel e restaurante
- O Nenúfar — 8×8, Médio, Parque de campismo
- O Último Passeio — 8×8, Médio, Moradia
Outras técnicas
- A última casa
- Só um cabe na linha
- Linhas bloqueadas
- Uma casa livre
- A cruz
- Pistas que ligam pessoas
- Quem mais estava na divisão
- A sós com a vítima
- Contar todo o local